…sim, as crianças e eu própria! Acho que nunca é demais falar deste assunto, porque esta é uma altura crucial para criarmos uma relação de base com as crianças e com os pais.
Este processo de separação dos pais e o período de adaptação à creche muitas vezes ocorre de uma maneira muito difícil e algo custoso. Não se podia esperar outra coisa uma vez que a nós, adultos, custa-nos adaptarmo-nos a um emprego novo, a uma casa nova, a pessoas novas, imaginemo-nos crianças, ainda sem um ano sequer, enfrnetando pessoas diferentes da sua família, um sítio novo e diferente da sua casa, com hábitos, rotinas e comida diferentes da que está habituada. a criança perde todos os seus pontos de referência e sofre ao tentar adaptar-se a esta nova situação. há uma certa inquetude, angústia, instabilidade, procura algo familiar.
O L. é um exemplo claro de quão agitada pode ser a adaptação à creche. no primeiro dia o L. ficou relativamente bem, notei mais angústia e instabilidade por parte da mãe do que por parte da criança. aos poucos começou a brincar, a pegar nos objectos, a explorá-los, mas de vez em quando lá se lembrava e olhava para a porta a choramingar. À hora de comer quase que entra em gueera e recusa-se a comer, depois na hora do sono está inquieto e agitado no catre, enrola-se nos lençóis, procura algo mais familiar. Tudos estes protestos são mais que compreendidos, é preciso dar-lhes tempo para amadurecer, para se ambientar… Aos poucos, com o passar dos dias, o L. foi-se habituando à minha voz, às outras crianças, ao espaço da sala e da própria instituição e às rotinas. Ao mesmo tempo, a mãe também se tornou muito menos ansiosa, mais calma e compreensiva comparado à insegurança e até desconfiança do início. A mãe insistia em ficar um longo período de tempo na sala, quando vinha trazer o L. e da parte da tarde, quando o ia buscar. Isto criava na criança uma angústia tão grande, que ele se agarrava à mãe e a muito medo olhava para as outras crianças e para a sala. Só quando a mãe se ia embora é que o L. tinha calma e descanso para explorar o espaço. Até hoje a minha experiência diz-me que no início, neste período de adaptação, é melhor para a criança os pais não passarem tanto tempo na sala, para que a criança se ambiente ao seu ritmo, sem observar as angústias dos pais. O L. recuperou dos choros, da insegurança, descansa melhor na hora do sono, só às refeições ainda faz um circo, mas ainda só passaram 3 semanas. 
Ainda há muita coisa para falar sobre a adaptação à creche, nomeadamente sob o ponto de vista dos pais e do próprio Educador, mas por agora fico por aqui!