Thursday, February 22, 2007

Desabafos…

Pois é, às vezes não conseguimos andar sempre com ânimo e motivação para trabalhar. E precisamos de desabafar…

Eu vou directa ao assunto: já tiveram problemas com alguns Encarregados de Educação das vossas crianças? Pois é, por causa de uma em particular ando com uma neura que não me deixa trabalhar em condições. É tão bom quando os pais querem participar e fazer parte da vida da creche e entendem, reconhecem e apreciam o trabalho que fazemos, não é? Mesmo que não o transmitam por palavras, simplesmente sente-se, é muito reconfortante saber que os pais estão descansados e felizes ao saber que os filhos estão connosco. Mas nem sempre é assim….é muito triste quando as pessoas implicam connosco simplesmente pelo desaparecimento de uma camisola, or exemplo. (quando a mãe em causa não passa qualquer tipo de necessidade financeira e tem milhentas camisolas e pode comprar outras milhentas camisolas), quando desconfia de nós e por causa dessa mesma camisola espalha que a creche não oferece condições nenhumas e que tratam mal as crianças, aí, o nosso coração parte-se e parece que todo o trabalho que fazemos de nada vale. Deixa-me desanimada, ofendida, desgostosa, triste.

Isto que vou contar acontece constantemente, varia apenas a hora a que acontece: a mãe chega com a criança ao infantário com o pijama ainda vestido, com a fralda por mudar, com os medicamentos que devia ter tomado logo de manhã por tomar, às vezes chega a trazer um pão para lhe darmos porque ainda não lhe deu qualquer pequeno-almoço, isto passa-se por volta das 10:30 da manhã. Entra pela sala dentro a queixar-se do filho, que ele só faz asneiras(uma criança de 18 meses), que nunca pára quieto, que a deixa sem paciência nenhuma, nunca o trata por filho, chama-lhe apenas “puto”, ou já me surpreendeu com “este sacana”, vem toda a semana com a mesma roupa, já suja (imaginem) com o mesmo body, nós é que o trocamos cá, e depois de o entregar na sala, passado um minuto abre a porta de repente como se nos fosse surpreender em qualquer acto condenável…. Às vezes só me apetece rir, porque os nervos são tantos que o que me apetecia era fazer o oposto. Trata-se de uma pessoa licenciada, com conhecimentos e posses, tipo classe média-alta, mas com muita pobreza de espírito depreendo eu… 

A criança, essa, sem culpa nenhuma, tem um peso muito abaixo da média, porque a mãe não lhe consegue dar comida em casa, pois ele vomita com muita facilidade, força o vómito, devido ao problema de carência que obviamente tem. Teve agora uma gastroentrite, por isso, dá para imaginar que ainda ficou mais magrinho, as pernitas dele têm a grossura do meu pulso e as fraldas até se tornam grandes. Para não falar que a mãe lhe compra sapatos 4 números acima do normal, veste-lhe roupa de verão quando agora está um frio de rachar e anda sempre com uma catrefada de medicamentos sem fim para tomar. Hoje demos-lhe cinco medicamentos: neostil, atarax, motilium, um para a diarreia, e um suplemento vitamínico. Ora, ele não anda a tomar estes medicamentos há 2 ou 3 dias. Já há mais de 15 dias que ele continua a tomar esta dose de medicação. A mãe diz que um é para ele não vomitar, outro para não fazer diarreia, outro para descongestionar as vias respiratórias, outro para lhe dar fome e outro para ele dormir (sim, ela foi à farmácia e pediu qualquer coisa para o “puto” dormir”). Pois, porque ela não tem um pediatra certo, queixa-se de todos e acaba por nenhum fazer o acompanhamento correcto à criança, simplesmente vai à farmácia e como conhece lá alguém, ela medica o filho. uuuufff…. 

Eu sei, há aqui muito por fazer. Já tentei falar muitas vezes com a mãe, mas ela mente. Diz que vai ao pediatra (e não vai), diz que em casa ele come (mas outras vezes lá confessa que ele vomita tudo), diz que não lhe tirou o pijama e vestiu uma roupa porque em casa estava muito frio (Não se quis dar ao trabalho, elas na creche fazem o trabalho todo, é para isso que lhes pago), não lhe muda a fralda porque ele fez o cocó no caminho para a creche (e todos os dias faz cocó no caminho para a creche? Incrível, TODOS OS DIAS), mas quanto à bendita camisola, isso, não passa um dia que ela não fale disso (Até já mandou a avó da criança para reclamar connosco) Que a culpa é nossa, ela estava no cabide e alguém a tirou por maldade e não tem jeito nenhum acontecer tal coisa. NOTA: No dia que a camisola desapareceu, a criança vinha vestida com ela, VOMITADA. Sim, a mãe trouxe a criança com a camisola suja de vomitado, como se não fosse nada com ela. Nós tiramos a camisola à criança e colocamo-la num saco plástico no cabide dele. Ora, quem é que ia roubar uma camisola toda vomitada dentro de um saco plástico?!? Ai, que paciência…..Isto já anda assim há meses, mas hoje senti-me mais em baixo. Hoje sinto-me muito desanimada… muito.

Desculpem…tinha que desabafar.

Posted by AtiRanA at 21:09:29 | Permalink | Comments (13)

Tuesday, February 20, 2007

As mordidelas

Pois é, a fase das mordidelas vai chegando aos poucos à sala, mas com ela vem também mais beijinhos, mais mimos, enfim, mais contacto, porque as mordidelas não têm sempre um intuito agressivo. As crianças mordem-se como uma forma de explorar, porque ainda é principalmente por via oral que sentem o mundo, identificam objectos, experimentam texturas e formas. Uma das brincadeiras preferidas quando exploram um livro é mordê-lo, deve saber a açúcar de certeza! Quando ficam zangadas uma das formas de comunicar é morderem-se, principalmente a si próprias, chamando a minha atenção. Por vezes também mordem os outros para observarem a reacção do outro. No momento da disputa de um brinquedo, irritam-se bastante e têm uma reacção bastante explosiva (uns mais do que outros, obviamente) e empurram, batem ou mordem. É uma situação que muitas das vezes nos ultrapassa porque as próprias crianças resolvem os seus conflitos umas com as outras. Não é um acontecimento que seja frequente na sala, mas de vez em quando lá vai o B. meter-se com a F., põe-se aos beijos, entusiasma-se e lá vai uma mordidela. A F. zangada, chora, porque é a mais pequena do grupo, mas tudo passa com muitos beijos e mimos do B., como se a pedir desculpa. A F. é a única criança que ainda não caminha completamente segura, apenas dá uns passos, mas daqui a uns dias de certeza que nos irá surpreender! É mesmo assim trabalhar em creche, as crianças surpreendem-me a cada dia que passa, com uma pequena vitória, seja uma palavra nova, um gesto diferente, uma imitação engraçada que não é apenas engraçada, é significativa e muito importante para o crescimento e maturação da criança.
Posted by AtiRanA at 21:42:40 | Permalink | Comments (1) »

Friday, February 16, 2007

E então o Carnaval?

Bem, o Carnaval na creche ocorreu de forma muito simples e sem muitos alaridos, mas com muito divertimento. O principal foi mesmo a animação, muita música, balões e festa. As crianças vieram vestidas com uma camisola simples e calças de ganga, e cada criança tinha um chapéu com um animal feito na creche. Durante a manhã fomos dar um pequeno passeio em jeito de desfile para mostrarmos à comunidade envolvente da creche a animação que havia por lá havia. Foi também a primeira vez que as crianças da minha sala deram um passeio ao exterior. Foi uma festa pegada, uns já conheciam o caminho iam quase a correr, nem sequer queriam dar a mão; outros choraram e sentiram-se um pouco intimidados com tanta animação. Mas no final, quando regressámos à sala, ainda tinham entusiasmo suficiente para desfilarem mais um pouco na sala, tirarem muitas fotografias e andarem com os chapéus até à hora do almoço. Da parte da tarde, a festa continuou e um beijo grande que vêm por aí as mini-férias!
Posted by AtiRanA at 22:07:55 | Permalink | No Comments »